I didn’t do it, nobody saw me do it, there’s no way you can prove anything

Se há erros evitáveis, outros são até fundamentais para o processo de crescimento e inovação, e é aqui que devemos valorizar a cultura do erro. Afinal, não existe bebé que aprenda a andar sem cair; só se é um verdadeiro motard depois de uma primeira queda; e existe até em Silicon Valley quem recuse investir em pessoas ou empresas que nunca falharam ao empreender antes.

As pontes de napoleão

Reza a história que Napoleão saiu de paris com 500.000 soldados preparado para qualquer embate com o inimigo russo, mas estes levaram à letra o principio de guerra do Sun Tzu: qualquer guerra está perdida assim que se dispara o primeiro tiro.

Optaram então por uma estratégia muito diferente: na aproximação do exército francês, os russos abandonaram as suas vilas, queimaram as casas e destruíram as pontes.

O resultado foi catastrófico para Napoleão, uma vez que a cada vila precisaram de montar acampamento ao relento, sem mantimentos, enquanto reconstruíam a ponte que lhe permitia continuar a missão até à próxima aldeia.

E pensam que Napoleão desistiu? Nem pensar. Recusou-se a aceitar a falha na sua estratégia, continuando o caminho até à capital russa onde hasteou a bandeira. Mas não pode ficar mais que uns momentos: 90% do exército tinha morrido de exaustão e era hora de regressar.

Numa organização é importante promover uma cultura onde se aprende com o erro e que incentiva, desde logo, o responsável a assumir a falha e procurar formas de a resolver. Quanto mais rápido se admitir o erro, mais depressa se encontra solução.

Há que valorizar uma cultura assente na ideia de que experimentando muito e rápido se conquistam metas jamais alcançáveis por quem anda em “pézinhos de lã” com medo de partir alguma coisa.

A cultura do erro

Os erros são essenciais ao progresso e sucesso, qualquer inovação depende da experimentação, da tentativa/erro. Como diz o Zuckerberg: “Se não estás a partir nada, então estás a ir demasiado devagar.”

Com os erros nós aprendemos como não podemos fazer as coisas, enquanto testamos novas ideias, abordagens, técnicas, e anotamos novas ideias.

Mas se os erros são inerentes aos processos de inovação, também não devemos esquecer os erros do obstinado Napoleão: só são positivos quando, no plano geral, a nossa velocidade aumenta por errarmos e não o oposto.

A ideia é falhar tão rápido quanto possível, é ser tão ágil na experimentação quanto na correcção. É usar os erros como alternativa aos velhos sábios que obviamente só são válidos para aquilo que outros fizeram antes, só são certas as suas opiniões porque se baseiam nos erros que outros cometeram no passado.

Acredito por isso numa verdadeira cultura do erro nas organizações, uma cultura que premeie as experiências e novas ideias e que esteja confortável com a ideia de que as pessoas vão errar.

Os problemas

Os erros também têm problemas, claro. Para além do efeito directo do erro em causa vejo três grandes desvantagens dos erros nas organizações:

  • A falta de responsabilidade. Não assumir os erros gera uma cultura de desresponsabilização, em que ninguém assume qualquer erro e a autonomia decresce continuamente. As pessoas têm medo de errar, por isso não tentam novas soluções e ficam à espera que o chefe decida por elas, para que a culpa não lhes seja cobrada mais tarde.
  • A falta de correcção. Se um erro é positivo para nos ensinar o que não resulta, então a repetição sucessiva de um erro vai gerar resultados consecutivamente negativos. É fundamental que os erros sejam detetados rapidamente para rapidamente serem corrigidos. As equipas devem montar processos de “lessons learned” para analisarem os erros, identificarem o que aprenderam e como os vão evitar no futuro.
  • A abordagem errada. Muitas vezes os erros geram uma sensação de culpa e são aproveitados, especialmente em grandes organizações, como campanhas negativas entre colaboradores. Um erro é sempre um erro, ninguém gosta de errar. A expressão “responsabilidade” pode parecer um sinónimo de “culpa”, mas tem uma carga completamente diferente, de quem tem a habilidade de dar resposta a um problema, mesmo que para tal tenha de experimentar várias hipóteses até acertar.

A fotocopiadora estragada

Realizei dezenas de vezes este exercício em acções de formação, com resultados sempre curiosos.

Resumidamente, uma fotocopiadora estraga-se por acção (ou inacção) de diversas pessoas, desde o director geral ao desgraçado responsável ausente do equipamento, passando por diversos colaboradores que, vendo o problema, tentaram ajudar.

O exercício passa pela identificação do responsável pelo erro e a resposta varia entre o diretor geral, por ser o mais alto cargo, ou pela divisão da culpa por todos. A lição do exercício mostra-nos que a pessoa que ligou aquela fotocopiadora e a avariou será sempre o responsável pela acção que desencadeou o problema.

Independentemente do leque variado de desculpas, deve assumir a responsabilidade pelas suas acções, transmitir à equipa o que aconteceu e promover a discussão para evitar que tal volte a suceder.

Premiar o erro

Se os erros são positivos em qualquer equipa, então deviam ser premiados. Naturalmente, não passa por oferecer ordenado extra a alguém que acabou de fazer a empresa perder dinheiro… A minha proposta é aproveitar o momento para valorizar publicamente a atitude da pessoa em questão por assumir do erro, pedir/aceitar ajuda e, especialmente, pela capacidade de dar resposta. ´É importante valorizar quem tenta resolver o problema, identificar as causas e alterar o que tiver de ser alterado para que não volte a repetir-se.

Se não “premiarmos” os erros, as pessoas tendem a escondê-los e a “sacudir a culpa do capote”. Mas se as valorizarmos por terem tentado fazer algo, apesar do erro, então conseguimos que mais pessoas encontrem as suas falhas e se responsabilizem pelos erros. No fim, toda a equipa ou organização beneficia desse ambiente de confiança e segurança.

Como diz Simon Sinek, “se quando um filho chega a casa com uma negativa não o pomos fora de casa, porque raio havemos de despedir um funcionário por ter errado?”.

Se o erro já não pode ser evitado, então vamos tirar partido do mesmo. É preciso promover essa cultura de aprendizagem conjunta com os erros e transmitir a todos que, na dúvida, mais vale tentar do que ficar parado. Mais vale pedir ajuda, investigar diferentes abordagens (mesmo que dêem em erro) do que ficar parado à espera que alguém dê por isso e resolva.

Leadership is about taking responsibility, not making excuses.” Mitt Romney

Bernardo Mota

Bernardo Mota

COO

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