Blockchain: O que é e como vai revolucionar o mundo

Muitos já ouviram falar do BitCoin, a criptomoeda que serve para fazer pagamentos através da internet.  Mas poucos estão familiarizados com o blockchain, a tecnologia que está por trás do bitcoin. E mesmo que já tenhas ouvido falar, é provável que ainda precises de perceber melhor como funciona.

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O que é, afinal, o Blockchain?

Quando enviamos um ficheiro a outra pessoa, como uma imagem ou um documento, não estamos a enviar o original, mas sim, uma cópia desse ficheiro. Quando falamos de dinheiro, ações, obrigações, contratos e até votos é crucial que a informação enviada seja a original e única (ou poderíamos fazer compras infinitas com “cópias” do nosso dinheiro).

Por outro lado, problemas com a segurança e privacidade existem desde que a internet foi inventada. E por isso, este tipo de transações e negócios online requerem sempre um pouco de “fé” na legitimidade da operação e no destinatário.

É por isso que, hoje, dependemos totalmente de grandes intermediários, como bancos, governos e empresas de crédito, para construírem uma base de confiança nestas operações. São estes intermediários que garantem que os intervenientes não são uma fraude e as trocas de informação são autênticas.

Mas todo este sistema tem apresentado algumas falhas:

  • É centralizado nestes intermediários, o que significa que é um sistema mais fácil de corromper para hackers.
  • É demorado, pois tem de atravessar todo o sistema e os seus intervenientes até a informação chegar ao seu destino.
  • Não é acessível a todos, ou seja, não consegue abranger pessoas que não estejam dentro do sistema (por exemplo, alguém que não tenha uma conta bancária).

É aqui que surge o blockchain (em português significa algo como “cadeia de blocos”): uma espécie de registo contabilístico global, onde todo o tipo de informação pode ser armazenado, movido e gerido sem qualquer tipo de intermediário. Em vez de existir um administrador central – como acontece nos bancos e governos – todos os registos são distribuídos numa rede global de computadores, sincronizados através da internet e visíveis para qualquer pessoa dentro da rede.

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E como é que isto funciona?

  1. Assim que ocorre uma transacção digital, esta é publicada globalmente em milhões de computadores.
  2. Depois, é agrupada num “bloco” encriptado, juntamente com todas as transações que ocorreram nos últimos 10 minutos.
  3. É neste momento os “miners” entram em cena. Os miners são membros da rede que validam as transacções que estão dentro dentro destes blocos através da resolução de problemas de programação complexos.
  4. O primeiro miner a completar a tarefa e validar o bloco, recebe uma recompensa (por exemplo, bitcoins).
  5. O bloco que acabou de ser validado leva então uma espécie de carimbo digital e é ligado ao bloco anterior, criando uma cadeia de blocos ordenados cronologicamente.
  6. Toda essa cadeia é atualizada constantemente para garantir que todos os membros estão a aceder ao mesmo registo.
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Assim, pela primeira vez, as pessoas podem fazer transações diretas entre si (peer to peer) com confiança e a um custo muito menor, onde a segurança é garantida através da colaboração, criptografia e programação inteligente do sistema.

E porque é este método mais seguro que os sistemas informáticos de hoje? Ora, se alguém quisesse piratear um bloco, teria de desencriptar também todos os blocos anteriores a esse, em milhões de computadores, em simultâneo – algo praticamente impossível.

É fácil perceber o impacto que esta tecnologia poderá ter para a área dos serviços financeiros. Mas, apesar de ser sempre frequentemente associada ao Bitcoin, as mudanças que esta tecnologia pode trazer vão muito para além da cripto-moeda:

  1. Contratos inteligentes

Os smart contracts vão tornar os contratos em papel uma coisa do século passado. Aqui falamos de um contrato que se controla sozinho: lida com a aplicação, gestão, desempenho e pagamento que foi acordado entre duas pessoas. A tradicional assinatura a caneta na folha de papel será substituída por uma palavra-passe específica, determinada por cada uma das partes. Tudo isto promete fazer cair todos custos de contratação e processamento de pagamentos no futuro.

  1. Reconhecer o trabalho dos músicos

No mundo da música, não é segredo que os artistas são constantemente explorados por parte das grandes editoras discográficas e serviços de streaming (como o Spotify). Cada um destes intermediários tira uma parte dos lucros, com os músicos a situar-se tipicamente no fundo da cadeia, ficando apenas com as “sobras”. Agora, há empresas (como a Mycelia) que se baseiam no Blockchain para criar músicas inteligentes com smart contracts incorporados que permitem aos artistas vender diretamente aos consumidores. Isto significa que as royalties e os acordos de licenciamento são executados instantaneamente, garantindo que os músicos são pagos em primeiro lugar. Mas as boas notícias para os artistas não acabam aqui:

  1. Proteger a propriedade intelectual

Escritores, músicos, fotógrafos, engenheiros, designers, arquitetos e todo o tipo de autores enfrentam hoje o maior desafio da era da Internet: a pirataria digital. A tecnologia blockchain cria uma plataforma para estes autores receberem o valor daquilo que criam. Por exemplo, a Ascribe, uma startup que funciona com base no blockchain, permite aos artistas fazer upload da sua arte, “carimbá-la” como sendo a versão original e transferi-la de colecção em colecção, sem perder o controlo do seu trabalho.

  1. Mais comunicação, mais privacidade

Hoje em dia, estar constantemente ligado às redes sociais já não é uma opção, mas quase um requisito para sobreviver na sociedade. O problema é que sempre que criamos um perfil nestas plataformas acabamos por ter de “vender” os nossos dados a estas grandes empresas. O blockchain pode eliminar por completo estes intermediários, permitindo a cada utilizador ter o seu próprio perfil, criado e controlado por si.

  1. Adeus pobreza?

É verdade, o blockchain está a abrir a porta a novos modelos de negócio, mas, para os países mais pobres, pode fazer muito mais que isso. Abrir uma conta bancária, fazer transferências para familiares no estrangeiro, pagar seguros de vida e de saúde… Tudo isto poderá ser feito de forma mais segura, mais barata e livre de fraudes.

Mas podemos ir mais além. Hoje, 1,5 mil milhões de pessoas no mundo não têm um documento que comprove a sua identidade. Sem documentos, não têm acesso a cuidados de saúde, educação e emprego estável. Felizmente, organizações como a ID2020 e a BitNation já estão a criar sistemas de identificação baseados no blockchain que podem ajudar a travar este ciclo.

Vai mesmo revolucionar o mundo?

Já vimos que o bitcoin é a apenas a ponta do iceberg: há cerca de 700 outras aplicações para o blockchain no futuro.

Muitos acreditam que terá o potencial para revolucionar, não só a forma como usamos a internet, mas também a economia, os governos e a sociedade em que vivemos.

O blockchain, como inovação altamente disruptiva, promete mudar o mundo como hoje o conhecemos.

Joana Cidades

Brand and Marketing Manager

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